Crítica do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”

Publicado por joicebuzzi em Tópicos Especiais

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Publicado em 13 de novembro, 2012 | 1 Comentário

Joice Buzzi – O filme Sociedade dos Poetas Mortos, dirigido por Peter Weir em 1989, é um drama envolvendo jovens estudantes da Academia Welton no ano de 1959, com a participação de um professor nada ortodoxo de literatura, John Keating ex-estudante da Academia, interpretado por Robin Williams, que figurou um papel muito importante, mas complexo, no desenvolvimento intelectual dos alunos, estes compostos exclusivamente por homens.

A trama é marcada por imagens expressivas em que a semiótica se faz presente, ao contrário do cinema atual que não exige olhar atento e conhecimento prévio para compreender seu contexto. A cena inicial, por exemplo, se dá com a reunião de pais, professores e alunos para marcar o início do semestre, os educandos carregam velas, símbolo da sabedoria, evidenciando a essência da Welton, além de valores como a tradição, a honra, a disciplina e a excelência demonstradas por suas vestimentas e posturas rígidas. Outro marco para a simbologia do filme é o momento em que o professor Keating cita o poema de Walt Whitman, referente ao assassinato de Abraham Lincoln “O Captain! My Captain!”, e pede que seus alunos o chamem assim. Whitman foi um poeta representante do romantismo, e tinha como ideais a luta a favor da democracia e a força do homem acima das instituições e seus costumes ultrapassados, podemos perceber então uma identificação do professor ao poeta, já que incentiva seus alunos a pensarem por si mesmos e terem sempre uma opinião diferenciada da que lhes é imposta, fugindo dos conceitos que a própria Academia Welton exigia, assim como quando Keating sobe em cima da mesa para demonstrar aos alunos a importância de mudar o ângulo de visão. Ele insere também a expressão “carpe diem” incentivando os educandos a aproveitarem o momento.

Os jovens influenciados por esse novo conceito e empolgados com a ideia de liberdade, buscam o anuário do professor para saber mais sobre ele, e encontram uma referência a “Sociedade dos Poetas Mortos”, os alunos curiosos vão atrás dele para questiona-lo sobre o que aquilo significava, o professor então explica que representava uma organização que ele fazia parte, onde os participantes se encontravam em uma caverna para ler poesia. Sabendo disso os alunos decidem fazer o mesmo. Reavivam a “Sociedade dos Poetas Mortos”. Os encontros aconteciam à noite e vestidos com mantas pretas e um capuz se reuniam em uma caverna. Ato que faz lembrar muito uma seita secreta.

Esse incentivo pela liberdade de pensamento fez brotar em cada jovem uma perspectiva diferente, muitos se encorajaram a fazer o que desejavam e não o que eram obrigados. O personagem Neil foi um dos que fugiu das imposições de seus pais para seguir o que desejava: ser ator. Porém a repressão que sofreu do pai logo após apresentar-se em uma peça de teatro o levou a um fim trágico, o suicídio. Fato que no romantismo era visto como um ato heroico, morrer por uma ideia e pensamento era digno, era a salvação. Seu suicídio marca também uma significação muito importante, antes da morte ele se prepara para ela, retirando suas roupas, abrindo a janela e se deixando envolver pelo vento frio vindo dela e consequentemente pela morte, e por fim deixa uma coroa de espinhos em cima da mesa, fazendo alusão a Jesus Cristo que na história morreu para salvação de todos.

O contexto do drama demonstra a importância de se ter fé em seus próprios ideais, mas com o cuidado das consequências.

Para produzir um filme como esse é necessário também todo um processo de pré-produção para adaptar os cenários aos conceitos da época. Foi preciso uma pesquisa minuciosa sobre as linguagens utilizadas, as roupas, a paisagem e o comportamento das famílias de 1959. O que faz com que não haja dúvidas sobre sua qualidade de produção, já que cumpriram fielmente o retrato daquele período. A escolha do elenco também compõe a fase de pré-produção, parte importante para o desenvolvimento do filme, já que os atores precisam possuir características adequadas a seus personagens, tanto psicológicas, aprendidas nos ensaios, quanto físicas. Além da trilha sonora que marca ainda mais a ideia que desejam passar aos expectadores. Tudo isso para buscar a harmonia necessária para a produção efetiva, fase que começam as gravações e edições. E é só no pós-produção, na desmontagem dos equipamentos, no resultado final, que o sucesso é avaliado pelos receptores.

O filme Sociedade dos Poetas Mortos, em todas essas fases de produção conseguiu alcançar seus objetivos, tudo encaixando perfeitamente e transmitindo de fato a informação.

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Sobre joicebuzzi

Nascida em Alta Floresta. Amante de palavras, natureza e música. Jornalista em formação, cursando o 4° semestre. Buscando a impermanência e redescobrindo seus interesses. Dezenove anos e cheia de desejos. Como diria Clarice Lispector: “Quero tudo! Agora!”

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1 Comentário

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  1. muito legal

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